O que é planejamento de proteção (gestão de risco)
É o processo de identificar os eventos que podem quebrar financeiramente uma família e dimensionar a proteção adequada para cada um. A lógica não é "vender seguro", e sim diagnosticar risco: quanto a família precisaria receber, hoje, para manter renda, quitar dívidas, custear a educação dos filhos e ter liquidez — se a pessoa que sustenta esse padrão faltar ou parar de produzir.
Os quatro riscos que quebram um plano
| Risco | O que acontece | Cobertura típica |
|---|---|---|
| Morte | A família perde a renda e ainda enfrenta custos de sucessão | Seguro de vida |
| Invalidez permanente | A pessoa para de produzir, continua consumindo e gera novos custos (saúde, adaptação) | Invalidez (IPA / IFPD / ILPD) |
| Incapacidade temporária | Afastamento por meses; a renda para, as contas não | DIT (diária de incapacidade temporária) |
| Doença grave | Diagnóstico que gera gasto extraordinário, mesmo sem morte ou invalidez | Doenças graves (capital antecipado) |
Um ponto que quase todo mundo erra: invalidez não é a mesma conta da morte. Na morte, a pessoa deixa de consumir; na invalidez, ela continua viva, para de produzir e ainda gera custos adicionais (tratamento, cuidador, adaptação da casa). São riscos diferentes, com modelos diferentes.
Como calcular quanto de seguro você precisa (o gap de proteção)
Esta é a metodologia central — e o que a plataforma Flynance calcula automaticamente. Para cada risco:
- NECESSIDADE BRUTA
- − RECURSOS DISPONÍVEIS (patrimônio para autosseguro)
- = CAPITAL DE PROTEÇÃO NECESSÁRIO
- − COBERTURAS JÁ CONTRATADAS
- = GAP DE PROTEÇÃO (nunca negativo)
Exemplo (morte): uma família precisa de R$ 2.435.500,00 (reposição de renda + dívidas + educação + liquidez sucessória). O patrimônio disponível para autosseguro é R$ 55.330,00 e há R$ 500.000,00 de seguro de vida contratado:
| Etapa | Valor |
|---|---|
| Necessidade bruta | R$ 2.435.500,00 |
| (−) Patrimônio para autosseguro | − R$ 55.330,00 |
| Capital de proteção necessário | R$ 2.380.170,00 |
| (−) Seguro de vida contratado | − R$ 500.000,00 |
| GAP DE PROTEÇÃO | R$ 1.880.170,00 |
Parte dessa necessidade é justamente a liquidez para custos de inventário e ITCMD, detalhada no guia de planejamento sucessório.
Patrimônio disponível para autosseguro: o detalhe que muda tudo
Não se deve assumir que 100% do patrimônio está disponível para substituir um seguro. A casa onde a família mora, a empresa e ativos ilíquidos, em regra, não deveriam ser consumidos para cobrir um risco. Por isso o cálculo separa o patrimônio total do patrimônio disponível para autosseguro — e só o segundo reduz a necessidade de seguro. Para famílias de patrimônio elevado, essa distinção muda o diagnóstico por completo.
Tipos de cobertura (o que cada uma protege)
As coberturas de seguro de pessoas (reguladas pela SUSEP) protegem eventos diferentes — e os critérios de acionamento variam por contrato:
| Cobertura | Protege |
|---|---|
| Vida (morte) | Capital aos beneficiários em caso de falecimento |
| IPA — Invalidez Permanente por Acidente | Invalidez decorrente de acidente |
| IFPD — Invalidez Funcional Permanente por Doença | Invalidez funcional total por doença |
| ILPD — Invalidez Laborativa Permanente por Doença | Incapacidade permanente para a profissão |
| DIT — Diária de Incapacidade Temporária | Renda diária durante afastamento (com franquia e limite de diárias) |
| Doenças graves | Capital antecipado ao diagnóstico de doenças especificadas |
As coberturas têm critérios, carências, franquias e limites definidos em cada apólice. Confirmar condições no contrato e na regulamentação da SUSEP.
Erros comuns em proteção
- Tratar seguro como investimento: proteção resolve risco; rentabilidade se busca em outro produto.
- Usar múltiplo de renda "10× o salário" como regra fixa: é uma aproximação — o correto é o valor presente da necessidade real.
- Contar a casa própria como autosseguro: a família continua precisando morar nela.
- Achar que previdência é blindagem absoluta: PGBL e VGBL têm vantagens sucessórias, mas não substituem o dimensionamento do risco — o papel deles está detalhado no guia de planejamento de aposentadoria.
Como o planejador conduz o diagnóstico de proteção
- Levantar renda, família e dívidas — Mapear quem depende dessa renda, por quanto tempo, e quais dívidas ficariam em aberto.
- Definir o horizonte de proteção — Período de dependência dos filhos e expectativa de vida do cônjuge definem por quanto tempo a renda precisa ser reposta.
- Calcular a necessidade por risco — Morte, invalidez permanente, incapacidade temporária e doenças graves têm modelos de cálculo diferentes.
- Separar o patrimônio disponível para autosseguro — Excluir o imóvel de moradia, a empresa e os ativos ilíquidos, que não deveriam ser consumidos para cobrir um risco.
- Levantar as coberturas atuais — Listar as apólices por tipo de cobertura, diferenciando os critérios de acionamento de cada uma.
- Calcular o gap — Gap = necessidade bruta − patrimônio para autosseguro − coberturas contratadas, categoria por categoria, nunca negativo.
- Encaminhar para o corretor de seguros — O diagnóstico vira a base técnica para a contratação junto a um corretor habilitado pela SUSEP.
É exatamente esse fluxo — com patrimônio para autosseguro, cálculo por categoria e gap — que o módulo de Proteção do Flynance Planning executa de forma auditável.